sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O silêncio é uma dádiva dos cultos, mas quem disse que sou culto?

                    Não posso afirmar que isso é uma característica única e só minha, mas posso afirmar que não sei ficar quieto. Minha vida seria tão melhor, tão mais bem vivida, tão mais alegre, tão mais legal se eu soubesse ficar quieto. Nós (encarando como uma característica coletiva) temos uma necessidade de estarmos sempre nos abrindo, sempre nos expondo, sempre tendo que falar algo mesmo que isso não faça o menor sentido. Acho que nem preciso falar também dos sabixões que de tudo sabem (tudo bem, as vezes sou assim também).
                    Ao dar muitas voltar em torno de mim mesmo tentando me encontrar e só encontrando mais indagações sobre quem sou, me identifico com músicas que não têm nenhuma ligação entre si, mas que pra mim fazem todo o sentido. Nesse momento estou a ouvir uma lista de João Gilberto e todas as suas excentricidades relatadas pela mídia me geraram curiosidades. Por que ele é tão silencioso? Por que o pai da bossa nova não gosta de falar nem de aparecer sendo que isso é o que muitos mais querem? (Eu mesmo já quis demais isso.) Concluí que ele percebeu que o silêncio é uma arma poderosa. Longe de mim tentar entendê-lo, se não consigo nem me entender, quem sou eu para entender alguém? Ninguém.
                    Percebi que os mais queridos pela sociedade são aqueles quietinhos no seu canto, não aqueles que mostram que sabem algo. A sociedade não quer que você seja evidenciado por suas atitudes forçadas, mas ela se permite te evidenciar caso você não force a barra para tal.
                     (Não quero bancar o poeta nem o "diferentão", esse blog me serve como uma terapia. Sempre achei que ninguém lia isso, mas as estatísticas me mostram que algumas pessoas leem, logo, isso não é a toa.)
                     Portanto, vejo que se eu conseguisse só me importar em fazer o meu, sem querer debater ou pagar de sabidão eu seria alguém feliz. Só estou fazendo esse texto por me importar demais com as pessoas, caso eu não me importasse eu nem precisaria ficar em silêncio para ser feliz. Independente de tudo, vou tentar me silenciar cada vez mais, não apenas por não querer mais pessoas dizendo por ai que sou metido ou que não vão com a minha cara, mas também por saber que isso vai fazer um bem danado pra mim mesmo. O melhor a se fazer é levar a vida rindo de tudo, virar um burro que não enxerga problema nenhum nas coisas e transparecer leveza, pra que todos que se acheguem à minha pessoa sintam-se leves também e assim todos fiquemos bem.

Talvez "Samba de Uma Nota Só" de (Tom Jobim) (por) João Gilberto nessa frase: "Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada. Ou quase nada." me resuma, talvez não. Talvez todas essas palavras façam diferença na vida de alguém. Talvez...



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